quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CET altera traçado da São Silvestre

por Marcos Teixeira

A 87ª Corrida Internacional de São Silvestre teve o local de chegada alterado. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a intenção é evitar que os espectadores da prova se misturem ao público que vai acompanhar o Reveillón da Paulista, evento que marca a virada de ano em São Paulo.

A partir deste ano, o fim da corrida será na Praça Túlio Fontoura, em frente ao Obelisco do Ibirapuera. Apesar da mudança, o percurso segue tendo 15 km, que é a distância mínima exigida pela Associação das Federações Internacionais de Atletismo para que figure no circuito internacional de corridas de rua.

A  festa na largada, ao lado do MASP (divulgação)

O jornalista Sérgio Patrick, que cobre a prova há 13 anos, não gostou da medida. “Além de tradicional, a parte final da corrida caracterizava o grande esforço para, logo em seguida, oferecer a alegria da chegada”, lamenta Patrick, que também se mostra apreensivo com o risco de lesões por causa de o sprint final acontecer na descida da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. “O final de uma prova desgastante como a São Silvestre num declive acentuado pode provocar lesões nos joelhos dos atletas por causa do alto impacto para as articulações.”, alertou Patrick.

Mas também há quem goste da idéia. É o caso do superintendente técnico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), professor Martinho Nobre dos Santos. “O melhor (da mudança) é que a chegada acontecerá em um lugar amplo, com melhores condições de assistência aos corredores”, considera. “Além do mais, evita-se a confusão entre os que vão apenas ver a corrida e os que querem assistir ao reveillón”, completou.

Não é a primeira vez que a chegada muda de local. Na década de 1980, quando ainda era disputada à noite, a São Silvestre chegou a terminar em frente ao Estádio do Pacaembu.

Abaixo as entrevistas com Sérgio Patrick e Martinho Nobre dos Santos na íntegra:

Entrevista com Sérgio Patrick:
Frente e Verso: Uma boa parte final do trecho da Av. Brigadeiro Luis Antônio é em descida. Qual é o perigo de um sprint nessa situação?

Sérgio Patrick: De acordo com especialistas, o final de uma prova desgastante como a São Silvestre num declive acentuado pode provocar lesões nos joelhos dos atletas por causa do alto impacto para as articulações.

FV: Culturalmente, qual é o impacto que pode causar a mudança da chegada de um ponto tão emblemático como a Avenida Paulista?

SP: Pessoalmente, acho uma pena tirar da SS a graça da chegada na Paulista, especialmente depois da subida da Brigadeiro. Além de tradicional, a parte final da corrida caracterizava o grande esforço para, logo em seguida, oferecer a alegria da chegada. Imaginar que a mudança tenha sido influenciada pelo reveillón da Paulista também me parece lamentável, pois a dispersão dos atletas da SS poderia ser feita, por exemplo, na pista contrário da própria Paulista ou nas ruas laterais e paralelas.

FV: Existem pontos positivos na mudança?

SP: O ponto positivo é a ideia de aumentar o número de participantes para até 40 mil pessoas, o que coloca mais gente numa prova tão tradicional. Esse aumento, no entanto, também tem que ser feito com ajustes na largada, que já está apertada na Paulista. Além disso, que é algo mais prático, considero a própria discussão em torno da alteração no evento algo saudável, sinal da importância que se dá hoje para a corrida de rua e para uma prova como a SS e de que tem gente que não acomoda quando não concorda com uma situação, mas protesta de forma inteligente e respeitosa.

Entrevista com Martinho Nobre dos Santos:
Frente e Verso: A parte final do trecho da Av. Brigadeiro Luis Antônio é em descida. Qual é o perigo de um sprint nessa situação?

Martinho Nobre dos Santos: Apesar de um grande declive apresentar riscos maiores de lesão, agravados se houver chuva, entendemos que os riscos não serão maiores do que o trajeto atual, pois mantém-se aclives e declives do antigo percurso. O final da Brigadeiro já é plano e os atletas seguirão assim nos últimos metros até a chegada.

FV: Culturalmente, qual é o impacto que pode causar a mudança da chegada de um ponto tão emblemático como a sede da Fundação Cásper Líbero?

MNS:O impacto, em nossa opinião, será pequeno em relação ao prédio da Fundação, pois desde que o jornal “A Gazeta Esportiva” deixou de circular de forma impressa, já não existe uma relação grande entre o edifício e a prova; o impacto será maior pelo fato da chegada não mais na Av. Paulista. Mas isto também já será esquecido na edição de 2012.

FV:Existem pontos positivos?

MNS: O mais positivo de todos é a chegada poder ser realizada num local amplo, em que os atletas poderão ter uma maior assistência da organização e dispersão, bem como o retorno dos participantes as suas casas e locais de hospedagem, sem haver a mistura e confusão com a festa de réveillon na Av. Paulista.

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